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santa maria, rio grande do sul, Brazil
fui parido no décimo segundo dia de um setembro ameno, no ano de mil novecentos e setenta e sete. segundo me contam, o episódio não alterou muito o mundo a minha volta: antes de mim, as estações do ano já encontravam - se dispostas na ordem que conhecemos, os cães sempre alucinavam em agosto e as armas brancas eram, dentre todas, as preferidas dos assassinos de sangue frio.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Do outro lado da rua tem um sobrado

Que pensaram quando aos poucos o silêncio crescia entre eles?

O que teriam dito se numa tarde-noite a saudade de outras janelas?

E da comida intocada no prato, e de um vento a entortar o fino caule da amoreira, que diziam?

Se pela manhã a brancura dos lençóis raramente desarrumados, naquela casa sem sono, diziam algo? Teriam um ódio gotejando escuro ou vestiam o mármore da indiferença?

Diz-se: de cada um o diabo rouba um detalhe.

E dá-se muito também o caso de enganarmos o futuro. Prevê-lo em seus humores, mas assentir com um sorriso verde-água. Que tanto faz.

Qual os homens quiseram, a casa erguida para quem virá, as intactas louças guardadas à espera: um abismo decorado em azulejos portugueses.

A chuva que nem chegava a tocar o agreste do corpo, mas espiada pela vidraça parecia cair para um fim único, secreto.

Diziam talvez, mas não viremos a saber, que há sempre um tempo de coser e um tempo de rasgar.

1 comentários:

Giane Luccas disse...

Como quem espia do outro da rua, continuo te acompanhando por aqui. Continua lindo...