Que pensaram quando aos poucos o silêncio crescia entre eles?
O que teriam dito se numa tarde-noite a saudade de outras janelas?
E da comida intocada no prato, e de um vento a entortar o fino caule da amoreira, que diziam?
Se pela manhã a brancura dos lençóis raramente desarrumados, naquela casa sem sono, diziam algo? Teriam um ódio gotejando escuro ou vestiam o mármore da indiferença?
Diz-se: de cada um o diabo rouba um detalhe.
E dá-se muito também o caso de enganarmos o futuro. Prevê-lo em seus humores, mas assentir com um sorriso verde-água. Que tanto faz.
Qual os homens quiseram, a casa erguida para quem virá, as intactas louças guardadas à espera: um abismo decorado em azulejos portugueses.
A chuva que nem chegava a tocar o agreste do corpo, mas espiada pela vidraça parecia cair para um fim único, secreto.
Diziam talvez, mas não viremos a saber, que há sempre um tempo de coser e um tempo de rasgar.
L'aquarelle
2 dias atrás
1 comentários:
Como quem espia do outro da rua, continuo te acompanhando por aqui. Continua lindo...
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